do Hipotálamo à Vaginα Podcast · Transcript · · Updated
Câncer de mama - parte 2 #ep53 – Transcript
Video by do Hipotálamo à Vaginα Podcast · Watch the original on YouTube
Summary
AI-generated from the transcript. Verify details against the source video.
- Doutora Betina Volbrech explica que ao dar o diagnóstico de câncer de mama é fundamental não criar expectativa sobre o sentimento da paciente e compreender sua história.
- A lei dos 60 dias estabelece o prazo entre o diagnóstico na rede básica e a chegada em um nível de referência para o início do tratamento pelo SUS no Brasil.
- A mamografia de rastreamento é imprescindível a partir dos 40 anos de idade, enquanto exames em idades anteriores devem ser individualizados.

Use this video with Pro
Reading, copying and transcript downloads are free. Create saved AI results for this video with a signed-in Pro account ($9/month).
Transcript
Search ignores accents. All transcript text stays visible.
[Música] Oi gente, tudo bem com vocês? Eu sou Nadie, ginecologista. >> Eu sou Luciana Perez, endocrinologista. >> E hoje é mais um episódio do nosso podcast do Hipotalama Vagina. Episódio especial, Luciana Perérez.
>> Episódio especial para ouburu rosa. Então, a gente não poderia deixar de falar novamente sobre câncer de mama, alguns pontos que a gente não abordou no episódio do outubro rosa do ano passado. >> E para falar sobre esse tema, nós trouxemos aqui a musa da mastologia de vários serviços. A, eu não sei se eu vou falar certo sobrenome, tá, Bet? A Dra.
Betina Volbrech. Falei certo? >> Falou, falou. >> Ó, Dra. Betina. Ela é mastologista, ela é professora da Escola de Medicina da PUC e é líder da mastologia do Hospital Nora Teixeira da Santa Casa. Bem-vinda, >> maravilhosa. Seja muito bem-vinda.
>> Muito obrigada pelo Elas esqueceram só de dizer que eu fui professora delas também, entendeu? >> É verdade, né? É verdade. Mas é que a gente não queria entregar a idade. >> Ah, entendi. Entendi. Tá, a gente tem a mesma idade. A gente que entrou depois, né, Luciana Perez? Ela é prodígia >> maravilhosa.
>> Seja muito bem-vinda. >> Que honra. Vamos começar. Luciana Perez, >> vamos lá. Beta, conta pra gente quais são os cuidados que a gente deve ter ao dar um diagnóstico de câncer de mama para uma paciente. Isso aí é pros nossos alunos, né? O pessoal da medicina aqui que nos segue >> e como que no dia a dia tu dá esse diagnóstico?
>> Ã, eu confesso que isso tem sido um dos temas que eu mais tenho estudado ultimamente, né? A gente aprende a dar diagnóstico, a gente fala sobre diagnóstico, dá notícias ruins vendo os outros fazer. Essa é a rotina, né, da medicina. A gente acaba vendo nossos professores, a gente acaba vendo nossos residentes superiores e assim a gente vai aprendendo. Hoje, enfim, com todas essas coisas, né, de de mídia e tudo, as pessoas têm técnicas pra gente dar
notícias. E eu realmente tenho estudado isso nos últimos nos últimos tempos. H, a coisa que eu acho mais importante de tudo quando a gente dá um diagnóstico é a gente entender a história daquela paciente, né? Ã, nenhum diagnóstico vai ser igual, nenhuma pessoa, nenhuma história é igual. E sempre que a gente tá num momento muito difícil e que é o momento do diagnóstico de um câncer, independente de qual a mama, enfim, mexe
com sexualidade, mexe, né, com com toda a questão de maternidade. Então, é muito importante tu saber quem é aquela tua paciente. Eu sempre vejo esse essa essa questão. E há pouco tempo atrás eu eu tava num treinamento de como falar e de como dar essa notícia. E eu fiz uma pergunta para Elisama Santos, que é uma pessoa que estuda muito sobre comunicação. E o que mais me chamou atenção nela e que eu acho que vale a gente ter sempre isso é a gente nunca
pode dizer pra paciente o que que ela tem que sentir, né? Então assim, quando a gente dá um diagnóstico, a gente tem que cuidar muito no sentido assim, eu não posso dizer pra paciente, olha só, fica tranquila, vai dar tudo certo, né? H, eu tenho que dar o diagnóstico e normalmente dessa maneira que eu funciono, eu dou o diagnóstico e a gente tem que esperar o que que ela o que que o que que isso vai gerar, qual é o sentimento que ela vai ter. Então, se eu pudesse assim dar uma dica ou falar assim, ó, o que que a gente a gente tem
que cuidar porque a gente não é dono do sentimento do outro, né? Assim como vão ter pacientes que eu me preparo para dar o diagnóstico e eu acho que é uma paciente que vai se desesperar, que não tem uma estrutura familiar talvez, né, tão esperada ou que vai estar sozinha, às vezes, inclusive é uma paciente que reage de uma maneira, né, e às vezes tem paciente que reage de uma maneira mais inesperada. Então, realmente assim, para mim o fundamental é não tem não tem uma expectativa do que aquilo do que que a paciente vai sentir. Não cria uma
expectativa do que a paciente vai sentir. E a gente vai até onde a paciente quer saber, né? Então assim, ã, claro que tem coisas que tu tem que dizer na primeira consulta, tem coisas que tu tem que, olha, nós vamos ter que fazer isso, a gente vai ter que fazer tais exames, amanhã tu tem que fazer isso, terça tu tem que fazer isso, mas eu sempre acho importante a gente ter um segundo momento, né? Então, tu dá o diagnóstico de câncer de mama, explica o que ela tem que fazer nas próximas 48
horas e aí tu faz um novo encontro com ela, né? Tem estudos que mostram que quando tu dá uma notícia ruim pro paciente, ele entende 30% do que tu fala. >> E e eu acredito muito nisso, porque eu penso, toda vez que eu recebi uma notícia muito devastadora, ã, a cabeça gira. É, então e aí nesse sentido, eh, vale muito a pena sempre ter alguém
junto, né? Algum familiar, alguma amiga, alguém que que é para assim, né? Que dentro da história da paciente ela goste, entendeu? Porque aí eu costumo dizer assim: "Bom, aí a paciente entendeu 30%, o acompanhante, né, mais 30% e a outra pessoa mais 30 e a gente chega nos 90".
>> Mas é muito ã importante a gente também dizer isso paraas pacientes, né? que independente do nível cultural de estudo, elas não vão entender tudo que a gente vai falar. >> Uhum. >> É porque é um bac essa notícia, né?
Ninguém espera ter, ninguém quer ter. Então acho que um primeiro momento é bem isso. >> E o e uma coisa que eu acho também importante assim, ã, hoje tem muito acesso à informação. Uhum. Então também é muito comum que a paciente já chega no consultório, ela já leu o seu laudo, ela já sabe que tá com câncer de mama, ela já entrou no chat GPT >> e ela já vem com muita informação, né?
>> E isso a gente também tem que saber lidar e a gente também tem que saber manejar, né? E uma coisa, Beta, que eu aprendi com a equipe de vocês da mastologia, que trabalha muito com essa coisa da notícia, né, do câncer. Eh, uma vez eu vi vocês conversando numa mesa ali de debate de eventos e vocês estavam falando sobre a importância de dar atenção para aquela paciente que a dúvida vai surgir nesse momento da primeira semana, por exemplo, que muitas vezes vocês liberam do consultório, mas
aí ela chega em casa e vai conversar com o marido, com filha. A Cristina Hanzolim, que participou ali do evento da Liga de Mastologia, comentou sobre isso, que ela saiu da consulta, chegou em casa e surgiram milhões de dúvidas e que aí ligaram, né, pro mastologista, acho que foi o Fraçon, >> e aí conversaram sobre isso, né, uma chamada de vídeo ali para esclarecer as dúvidas que tinham aparecido.
>> É essa o Então assim, é bem isso, a ideia tu tem um impacto na hora da notícia, né, >> e aí depois tu volta, né, a pensar, então assim, todas as informações no primeiro momento é difícil, né?
Hã, óbvio que quando a gente fala em Sistema Único de Saúde, eventualmente as coisas são um pouco diferente, porque essa disponibilidade é diferente, né? E e tem também assim eh tem estudos que mostram que eh os pacientes entendem mais quando eles perguntam pro chat GPT do que quando o médico fala.
>> Que loucura isso, né? >> Tá brincando. >> Sim, já tem, já tem demonstrando que eles entendem. Mas então assim, que que a gente tem que que que tu tem que concluir disso, né? Que a gente não pode falar um uma linguagem médica, >> né? Que a gente tem que falar uma linguagem. Então, por isso quando eu falo assim, a gente tem que saber a história da paciente, a gente tem que saber que que, né? Por quê? Porque a gente também tem que falar um pouco a linguagem da paciente.
>> Eu tento às vezes, por exemplo, trazer pra profissão da paciente, >> né? Eu digo: "Ah, com que que tu trabalha?" Ah, analogia. Isso porque assim, ã, de fato já tem estudos que mostram que quando eles perguntam uma informação por um uma inteligência artificial, enfim, eles entendem mais do que nós do que quando nós médicos explicamos. Então também a gente tem essa >> é uma reflexão para nós, né, e pra gente aprender >> com aá explicar, né? Perfeita,
>> Beta, tu falou em SUS, >> falando no sentido de recebi o diagnóstico de um câncer de mama, tá? e preciso fazer o meu tratamento pelo SUS. Em quanto tempo a pessoa consegue chegar num serviço especializado falando em câncer de mama?
Ã, a gente tem uma lei que é de 2012, né? Então é uma lei antiga, a lei dos 60 dias, tá? Essa lei, eh, na verdade, ela em 60 dias entre o diagnóstico e o início do tratamento, que pode ser cirúrgico, que pode ser quimioterapia, que pode ser radioterapia, enfim, existe uma lei dos 60 dias entre a paciente ter um diagnóstico, né, na rede básica, no
posto de saúde e chegar >> num nível de referência, teoricamente são 60 dias. >> E eu vou te dizer que isso hoje acontece no Brasil, tá? É muito raro tu ver uma paciente que não consiga chegar num serviço de referência em 60 dias.
>> Tu trabalha no SUS aqui da PUC, né? >> Trabalho trabalho no SUS da PUC, trabalho no SUS da Santa Casa em Porto Alegre. Isso realmente acontece. >> Eu até vejo mais problema antes disso, sabe, Nadia? Eu acho que a gente a gente tem uma cobertura, por exemplo, mamográfica muito baixa no Brasil. Uhum. A cobertura, os estudos que a gente tem de cobertura mamográfica no Brasil é de 30%.
>> É muito pouco, né? >> Então é muito pouco. Então assim, só de cada 100 mulheres que deveriam naquela faixa etária estar fazendo mamografia, só 30 estão fazendo Brasil, né? Então assim, a gente acaba tendo diagnósticos mais tardes, mas quando a paciente faz o diagnóstico, efetivamente, quando ela tem um diagnóstico de um câncer, em 60 dias ela tá iniciando o tratamento e que é um tempo, ã, enfim, que não prejudica, né, de uma maneira.
Perfeito. >> E vamos lá, vamos falar agora sobre a questão da cirurgia, tá? Eh, não é incomum paciente que vai eh se submeter a um procedimento cirúrgico em uma mama perguntar, né, se pode retirar a outra mama também de forma preventiva. O que que tu acha sobre isso? Como é que tu responde essa pergunta?
>> Tu deve ouvir muito essa, né, Bet? >> Eu tô rindo porque essa talvez seja a pergunta mais comum, né? H, as pacientes têm diagnóstico de um câncer de mama e tem uma ideia mágica de que, bom, se eu tirar as duas mamas, eu vou ficar sem nenhum risco paraa doença, tá? Primeiro que isso não é verdade, né?
Ã, se a gente tirar a glândula e deixar a pele, deixaréula, deixar mamilo, a gente vai sempre deixar um pouco de tecido mamário. Então, não é uma solução mágica, né? Segundo lugar, que se a gente tem um câncer de mama numa mama e a gente não tem doença na outra mama, não aumenta sobrevida, não aumenta eh não tem
benefícios oncológicos eu mexer na outra mama, exceto se eu for uma paciente que tiver uma mutação genética de alto risco, tipo angelina.