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NÃO EXISTIU Ditadura no Brasil – Transcript
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Summary
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- O professor Boris Fausto explica que a cúpula das Forças Armadas assumiu diretamente o poder e muitas funções do governo em 1964.
- Luís Inácio Lula da Silva considerou na época que o golpe era uma coisa boa porque trabalhava com várias pessoas que viam o exército com credibilidade.
- O professor Boris Fausto aponta que o regime militar não teve características fascista e não tentou construir um partido único.

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Transcript
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Comunista sobre a ditadura brasileira. >> [música] >> Comunista sobre a ditadura soviética. Senhoras e senhores, Tiago Braga aqui.
Haverá choro e ranger de dentes. Pirraça, sentimentos serão magoados nesse vídeo. Mas aqui você sabe, eu não tenho compromisso com ninguém. Só o que me interessa são as evidências. E as evidências apenas. Estejam avisados.
Finalmente chegou o vídeo que vocês tanto pediram. Destruindo os maiores mitos da ditadura brasileira. Mas esse vídeo aqui, galera, não vai ser sobre todo o processo histórico e político da ditadura brasileira não. Aqui a gente vai analisar os aspectos mais polêmicos e controversos dela. Fazendo estudo comparativo com outros regimes contemporâneos. É um vídeo sobre a ditadura como você nunca viu. Você vai ver que o diabo está nos detalhes.
Gostei dessa analogia. E para isso, a gente vai contar com uma literatura peso pesada, literalmente. E que eu sempre consulto para estudar a história do Brasil. E o link de todas essas obras aqui estão na descrição para vocês.
Então se você quer entender em detalhes todo o contexto desse período, você tem que ler. E falando em ler, aproveita esse vídeo para ler o meu livro Mitologia Soviética, para você entender através de uma linguagem fácil e acessível os maiores mitos sobre o comunismo soviético que também estão conectados com a ditadura brasileira. E aproveita que ele está com super desconto na Amazon. O link está na descrição para vocês também. Eu tenho certeza que vocês vão gostar demais.
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revolução popular, golpe militar ou os dois? A treta já começa pelo nome, meus amigos. Cuidado que dependendo do que você chamar esse período, você pode ser acusado de pró-ditadura, extrema-direita, megazord, nazi-fascistoide.
Pirracentos fora um pirraça. Ou você pode usar os três nomes, porque os três nomes têm uso corrente na historiografia brasileira. Quer ver um exemplo bom, ó? A professora Mary Del Priore aqui, ó, nessas duas obras fantásticas sobre a história do Brasil, Histórias da gente brasileira e uma breve história do Brasil. Aqui no livro quatro, em especial, galera, sobre a história do Brasil, a professora usa os três termos: ditadura, regime militar e revolução. Porque eles explicam as
diferentes percepções do povo brasileiro em relação àquele período. Já o saudoso professor Boris Fausto, nessa nesse clássico dele, A história do Brasil, ele é ainda mais complexo em relação à sua abordagem ao período.
Aqui, ele tem um capítulo dedicado ao que ele chama de regime militar. Dentro desse livro aqui, até onde eu consegui verificar, ele não usa nenhuma vez a expressão ditadura militar para se referir ao período de 1964. E ele explica para a gente o porquê aqui, ó, na página 436.
Saca só: "Em várias passagens utilizamos para designá-lo a expressão regime militar no sentido de que pela primeira vez a cúpula das Forças Armadas assumiu diretamente o poder e muitas funções do governo". O professor aqui usa o termo regime militar para explicar que o regime não controlava tudo e até havia uma participação civil no regime também.
Mas em outros lugares, por exemplo, o professor Boris também usa o termo ditadura de forma muito frequente. Já a professora Lilia Schwarcz, aqui na sua obra Brasil: uma biografia, usa as duas expressões: regime militar e ditadura ao se referir ao período de 1964. Então, galera, é seguro a gente dizer que a esmagadora maioria dos estudiosos e especialistas na história do Brasil se refere ao período tanto como ditadura
como regime militar como sendo sinônimos do processo iniciado lá em 1964. E mesmo historiadores não marxistas, como a professora Mary, concordam com isso. Mas estudar história não é apenas a gente classificar eventos com títulos. Ele leva em consideração também a visão das pessoas da época e a visão dos brasileiros sobre esse período que em 1964 era muito mais complexa do que muita gente quer acreditar. Agora, a visão dos
brasileiros é unânime quando o assunto é Insider. A Insider não divide o povo. Ela une. Tipo aqui no Brasão de Armas, a Insider já é minha marca registrada aqui. E com a Black Friday antecipada da Insider, ela vai ser sua marca também.
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Se pra muitos historiadores e pessoas da época o que rolou em 1964 foi um golpe militar, pra outros foi uma revolução. Bora pra professora Mary Del Priore novamente pra gente entender melhor todo esse contexto. Aqui, ó, nesse banho de história social, aqui no livro quatro, ó, Histórias da Gente Brasileira. A professora mostra pra gente que muitas pessoas da época não viam o evento como um golpe, mas como uma revolução. Ou
seja, pra muitos o que aconteceu em 1964 foi o levante do povo contra o sistema vigente, preservar sociedade brasileira contra corrupção. A professora Mary explica pra gente isso de uma forma belamente pessoal. Olha aqui na página 16 do seu livro. Lembro-me bem do dia 1º de abril de 1964, quando se deu um golpe no dizer de uns ou uma revolução no de outros, dependendo de que lado se estava. A professora já descarta aqui
qualquer simplificação daquele momento. Não era simplesmente o povo versus ditadura, o povo versus elite. Muitas vezes, galera, era o povo e ditadura. Por exemplo, aqui na página 41 a professora nos mostra a reportagem da revista Cruzeiro da edição de 10 de abril de 1964 que chamava aquela edição de edição histórica da revolução. Não é que o povo brasileiro era pró-ditadura
na época. Era um povo pró-mudança, contra um sistema político com décadas de corrupção e fracasso. Em um relato muito pessoal e honesto, a professora Mary diz que os seus próprios pais acreditavam que apenas os militares poderiam trazer a ordem e a paz que impedia o crescimento do país, mesmo que a democracia fosse destruída no processo.
Os pais dela, como tantos outros milhões, não viam um golpe de uma ditadura cruel em 64, viam uma única chance de mudança real em um sistema que falhou. Vamos lembrar, por exemplo, do fracasso de Jânio Quadros com a vassourinha mágica dele, que queria varrer a corrupção da política brasileira. Cara renunciou com apenas sete meses de mandato.
Não aguentou a pressão, meus amigos. Crise econômica explodiu, deixou a bucha para Jango, que foi deposto pelos militares em 1964. A crise brasileira e aquela situação toda chegou a um ponto tão abismal que esse golpe representou esperança de mudança até mesmo para aqueles que acreditavam que era mesmo um golpe.
O mais famoso exemplo que a professora Mary cita aqui no seu livro quatro é ninguém mais, ninguém menos do que ele, Luís Inácio Lula da Silva. Olha a professora Mary aqui dizendo para a gente na página 57. Luís Inácio Lula da Silva, então com 18 anos e empregado da Metalúrgica Independência em São Paulo, também considerou na época que o golpe era uma coisa boa, pois trabalhava com
várias pessoas de idade. E para elas, o exército era uma instituição de muita credibilidade. Eu vi os velhinhos comentarem que agora vão consertar o Brasil, agora vão acabar com o comunismo. Essa era a minha visão na época, contou ao historiador Ronaldo Costa Couto. O cineasta Silvio Tendler, deixando um cinema em Copacabana, não esqueceu a cena de carros buzinando e as pessoas comemorando como se fosse a Copa
do Mundo. Eles celebravam a partida de Jango para Brasília. Enquanto muitas pessoas foram contra o golpe, muitas pessoas acreditavam que o regime militar ia finalmente curar o Brasil da sua doença crônica. Já outros brasileiros eram contra o golpe, mas eles queriam seu próprio golpe. Professora Mary, mostra para a gente esse quadro caótico e complexo que era a sociedade brasileira na década de 60. Olha só.
Poder-se-ia falar sim em relações complexas, matizadas, algumas delas variando na forma e no conteúdo, caso os cidadãos estivessem em público ou no privado. Por exemplo, na rua contra o governo, em casa a favor. Arão Reis sublinha ainda que tendeu a predominar a versão de que a sociedade brasileira apenas suportava a ditadura, como alguém que tolera condições ruins que se tornaram de algum modo inevitáveis. Mas
inúmeras pesquisas sobre o muro de silêncio ou a zona de sombra que pairava sobre milhares de civis que sustentaram o regime começam a ser reveladas. Impossível, diz Arão Reis, não ver as multidões que apoiaram o golpe ou contragolpe que se instalou em nome da democracia contra a corrupção que a vassoura de Jânio Quadros não conseguiu limpar. Ou não ver que as esquerdas revolucionárias não eram, de modo algum,
apaixonadas pela democracia, francamente desprezada em seus textos, tinham, pelo contrário, um projeto de assalto ao poder político. Embora hoje, numa reconstrução histórica, se queiram como parte da resistência democrática.
Ou seja, para alguns, galera, era golpe. Para outros, era revolução. Para outros, era golpe da mudança. Para outros, o golpe era ruim. Mas [roncando] queriam um golpe para chamar de seu. A sociedade brasileira era heterogênea e as classes sociais defendiam seus interesses de acordo com o lado que mais se viam representados. É assim que a política funciona de maneira prática. Mas de maneira geral, o professor analisa que a situação
política brasileira estava tão moribunda que praticamente não existiu resistência organizada ao golpe. Não é que os militares estavam bem organizados. Não é esse o caso. É que nem o povo e nem os partidos se organizaram para lutar a favor de um sistema em estágio terminal. Até Jango fugiu para o Uruguai. Tudo isso tendo sido dito, não dá para saber se a ditadura gozou de apoio popular a nível nacional mesmo.
Mas ela teve inegável apoio popular. As marchas pela família levaram milhões à rua em todo o país. >> No dia consagrado ao mártir de nossa independência, realizou-se na capital a Marcha da Família com Deus pela Liberdade.