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Rocha, Mineral, Minério, e Mineralóide: Qual a Diferença? | Diego Sperle (Geologia) – Transcript

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Summary

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  • Para ser classificado como mineral, a substancia deve ser solida, ocorrer naturalmente, possuir estrutura cristalina, composicao quimica definida e ser inorganica.
  • Uma rocha e um agregado solido composto por um ou mais minerais, podendo conter materiais organicos e mineraloides.
  • O minério refere-se a uma rocha ou mineral que pode ser explorado economicamente, dependendo da viabilidade financeira e da tecnologia de extração.
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Hoje eu vou te explicar a diferença de rocha, mineral, minério e mineraloide. Esses quatro conceitos confundem muita gente, mas você vai ver que é simples, porque a aula de hoje tá bem completa. Antes de começar, eu me chamo Diego, sou geólogo e doutor em geografia e sejam muito bem-vindos a mais esse vídeo do canal Venti Facto. Então vamos começar com a base de tudo que são os minerais.

Para ser um mineral, a substância tem que ser sólida e tem que ocorrer naturalmente. Essas duas características são fundamentais, mas tem uma terceira característica muito importante também, que é que essa substância tem que ter estrutura cristalina. E o que que é isso? Imagina várias peças de Lego se organizando em padrões geométricos. É isso que acontece com os minerais. Os átomos dessa substância tem que se organizar de forma geométrica e repetitiva. E essas formas geométricas

podem ser simples, como cubos e pirâmides, ou podem ser formas muito complexas, até difícil de visualizar. Mas o importante é ter essa estrutura cristalina, que é um padrão geométrico repetitivo. E essa estrutura vai conferir ao mineral características muito interessantes. Você já deve ter visto minerais com padrões geométricos muito bonitos e muito perfeitos, que são resultado dessa estrutura cristalina.

Mas nem todo mineral vai ter a olho nu essa estrutura tão bonita, mas alguns, como a pirita, o quartzo, a turmalina, o berilo, formam padrões geométricos muito bonitos e muito perfeitos. Mas existem casos de minerais que você, a olho nu, não vai conseguir identificar padrões geométricos perfeitos, embora eles tenham estrutura cristalina e por isso sejam minerais. Também, né, porque tem outras características. A quarta característica é a composição química definida. E cuidado aqui, porque

definida não significa necessariamente fixa. E você já vai entender. Existem minerais, por exemplo, como a halita, que a fórmula química é cloreto de sódio, não tem variação. Mas existem muitos minerais que eles podem ter pequenas variações ou grandes variações na sua composição, embora a composição seja definida, mas alguns elementos podem entrar, outros sair, podem ter maior proporção de algum elemento, menor

proporção de outro e isso vai oscilar a composição desse mineral. Então, embora seja definida e conhecida, ela não é fixa. Então, cuidado com isso. Existem casos extremos, por exemplo, de minerais que a fórmula pode variar tanto que a gente coloca na fórmula química dele uma incógnita que pode ser, por exemplo, um sítio dele que pode ser ocupado por vários metais, bastando esses metais satisfazerem algumas características.

Mas esses casos extremos eu não vou abordar aqui, só para você saber. Se você quiser que eu faça um vídeo só sobre isso, deixa um comentário que eu faço com o maior prazer. E já vou aproveitar para pedir o seu like, porque isso ajuda a nossa comunidade a crescer aqui no YouTube. A última característica para ser considerado um mineral é que ele tem que ser inorgânico. E isso daqui é polêmico, porque existem alguns autores, alguns livros que dizem que algumas substâncias orgânicas, produzidas pela vida, podem ser

consideradas minerais. Mas isso daqui é a exceção da bibliografia. A maior parte dos autores, dos livros, considera que o mineral tem que ser inorgânico. Para algo orgânico ser considerado mineral, tem que passar por algum processo geológico que vai transformar esse material orgânico em um material geológico, em material mineral. É o caso, por exemplo, da grafita, que é o mineral que faz o grafite. Ele é

composto basicamente por carbono, ele pode ser formado por matéria orgânica de origem biológica que passou por processos geológicos que transformou essa matéria orgânica em grafita. Mas existem autores que consideram materiais como esse daqui, que é uma concha, como material mineral, o que não é consenso e não é comum ser considerado. Mas como eu não sei qual o material que você está estudando, qual a bibliografia que você vai consultar, eu tenho que pontuar

isso, porque não é comum a gente considerar conchas e outros materiais de origem biológica como materiais minerais sem esses materiais passarem por processo geológico, mas pode ser que alguns artigos, alguns materiais que você consulte, tenha esse outro referencial teórico que chame esses materiais de materiais minerais de origem biológica. Agora que você já sabe todas as características de um mineral, eu vou te dar alguns exemplos. O

primeiro deles é o quartzo. Esse daqui na minha mão é o quartzo rosa e é um exemplo de mineral. Outros exemplos são o ouro, o diamante, a apatita, a pirita. E eu tenho aqui no canal uma playlist só com vídeos que eu te ensino a identificar muitos desses minerais. Eu vou deixar o link aqui na tela para você assistir. Inclusive tem vídeo sobre a pirita, tem vídeo sobre a apatita, tem vídeo sobre o quartzo. Então tem muito material aqui. Se você gosta desse tipo

de assunto, com certeza você vai gostar do material que eu vou deixar aqui para vocês nesse card. Agora vamos falar de rocha, que é um outro conceito que confunde muita gente. Primeira característica das rochas é que ela tem que ser um agregado sólido. Não existe rocha líquida, por exemplo. E ela pode ser composta por um ou mais minerais.

Quando ela composta por um único mineral, a gente chama de rocha monomineralica, que é o caso dessa rocha aqui na minha mão, que é uma apatita. Só tem apatita aqui. Ela é uma rocha monomineralica. Ela é um agregado sólido composto por um único mineral, que é a apatita. Nesse caso, o nome da rocha vai ser o mesmo nome do mineral, ou seja, apatita. E existem rochas compostas por mais de um mineral, que é o caso dessa daqui, que é um sienito, que inclusive

tem esse nome por conta do conjunto de minerais que compõem ela. E aqui entra um ponto importante das rochas, porque diferente dos minerais, elas podem conter materiais orgânicos, como por exemplo, restos de organismos, ossos, carapaças e até tecidos moles, incluindo microrganismos mortos. E além disso, elas podem ter também mineraloides, que a gente já vai ver o que que é. E alguns exemplos de rocha que eu posso trazer

para vocês são os arenitos, os granitos, os xistos, os mármores, as ardoses, tudo isso são rochas. Mas lembrando que no caso de rochas monomineralicas, compostas por somente um mineral, a gente vai chamar essa rocha do nome do mineral. No caso dessas que eu trouxe aqui, o nome tem outra origem. Se você quiser um vídeo só explicando porque que as rochas têm esses nomes, deixa um comentário que vai ser um prazer fazer esse vídeo para vocês. Agora vamos entender o mineraloide, que é esse

material que pode estar presente nas rochas, mas que não é um mineral. Ele parece um mineral. E é por isso que tem esse oide aqui. Nas ciências, toda vez que tem oide, é algo que parece uma coisa, mas não é. Então, mineraloide é algo que parece um mineral, mas não é um mineral. Então, essa substância, ela é sólida, mas ela não tem estrutura cristalina. E quando isso acontece, a gente chama essa substância de

substância amorfa. Os átomos dessa substância estão bagunçados, não estão organizados em padrões geométricos regulares que se repetem no espaço. Então, não tem estrutura cristalina por conta disso. E um exemplo muito famoso de mineraloide é a obsidiana, que é um vidro vulcânico. Então, todo vidro vulcânico, ele é um mineraloide porque o vidro, ele não tem estrutura cristalina.

Então, aqui na minha mão eu tenho uma amostra desse material que parece muito mineral, mas não é. E eu fiz um vídeo explicando a obsidiana em detalhes, que eu vou deixar um card aqui na tela se você quiser assistir depois. Um outro exemplo de mineraloide é a opala, que é um material muito bonito, muito apreciado, mas não tem estrutura cristalina. Por fim, vamos falar de minério, que é uma rocha ou mineral que pode ser explorado economicamente.

Embora a definição possa parecer simples, na prática não é e você já vai entender por quê. Porque precisa ter viabilidade econômica. E o que que isso significa? Imagina que que esteja buscando ferro e eu encontro uma rocha que tem esse metal.

Só que extrair esse metal é mais caro do que o que eu vou ganhar explorando ele. Isso não é viável economicamente. Então, o teor de ferro na rocha, nesse caso, é muito importante. Eu preciso ter teor economicamente viável. E a porcentagem na rocha do meu elemento de interesse para tornar aquilo economicamente viável flutua com a economia. Porque no exemplo que eu dei do minério de ferro, imagina que a cotação desse metal no mercado

mundial esteja muito baixa. Explorar rochas com baixo teor de ferro vai ser economicamente inviável. Eu preciso explorar rochas com alto teor de ferro. Mas se em algum momento o valor do ferro subir muito no mercado internacional, explorar rochas com menor proporção de ferro vai se tornar viável. Então, essa viabilidade econômica oscila com o mercado. Isso torna o minério um conceito muito complexo. Porque a

viabilidade também tem muita relação com a tecnologia. Conforme vão sendo desenvolvidas novas técnicas de extração, de refino, de processamento desse minério, mais viável torna a exploração de rochas com teores mais baixos de alguns elementos. E é por isso que eu coloquei aqui o mercado. Porque não tem como falar de minério sem falar de mercado, sem essa relação de oferta e demanda dentro e fora do país. Então, por exemplo, no passado existiam rochas

com elementos que não tinham aplicabilidade na indústria. Então, não tinha demanda, não tinha mercado por esses elementos. Logo, essas rochas não eram minério naquela época. Mas hoje, com o desenvolvimento da indústria aeroespacial, indústria nuclear, enfim, uma série de processamentos industriais que dependem de elementos muito específicos, essas rochas se tornaram minério. Porque hoje existe mercado para esse material geológico. E a gente pode dividir os minérios em metálicos e não

metálicos. Geralmente as pessoas lembram dos minérios metálicos, porque a gente fala ferro, alumínio, níquel, platina, prata, ouro, tudo isso é metal. Por isso que é quase automático a gente associar mineração com minérios metálicos. E uma curiosidade é que os elementos terras raras, muito falados hoje em dia, eles são também minérios metálicos. Eu fiz um vídeo explicando o que que são esses elementos terras raras, que eu vou deixar um card aqui na tela. Aqui na

minha mão eu tenho um exemplo de minério de ferro. Esse daqui é uma mistura de magnetita com hematita, chamada de BIF, que é Banded Iron Formation, que na verdade em português significa formação ferrífera bandada, que é uma formação de ferro que tem essas camadinhas, não sei se vai dar para ver. E eu até falo aqui no canal, tem vídeos explicando sobre a hematita, sobre a magnetita, que eu explico melhor o que que são essas BIFs.

Mas isso daqui é explorado economicamente no Brasil e no mundo, e muito explorado. Toneladas disso daqui é moído para extrair ferro. Mas além da exploração de metais, a gente tem a exploração de minérios não metálicos muito importantes. Só para te dar alguns exemplos dessa categoria, o gesso, por exemplo, vem da gipsita, que é um mineral que eu fiz até um vídeo aqui no canal, que eu vou deixar um card aqui na tela também. A apatita, que é um mineral rico em fósforo e é muito explorada para fazer fertilizante, tá nesse grupo

também. O quartzo puro, explorado para fazer vidro, também é um exemplo de minério não metálico. Então temos muitos exemplos dessa categoria de minério, muitas vezes esquecida. Então agora você já sabe a diferença de rocha, mineral, minério e mineraloide. E embora sejam conceitos bem parecidos, eles têm diferenças importantes, embora também tenham semelhanças, embora também se sobreponham muitas vezes. Mas espero que depois da explicação tenha ficado claro para vocês. Se você quiser dar um pause

e copiar essa tabela ou tirar um print dela, eu acho interessante, porque aí você tem sempre uma fonte de consulta da diferença entre esses quatro conceitos. Aí você pode usar sempre nos seus estudos. E eu preciso pontuar uma coisa importante, que eu não sei se você percebeu, mas todos esses conceitos aqui tem uma coisa em comum, todos eles são sólidos, então isso não é um critério para diferenciar nenhum deles. A diferenciação vem das outras características. E vou pedir para você deixar um comentário dizendo o que é que

você achou do vídeo, se esse vídeo foi útil para você ou não, para eu sempre trazer conteúdo relevante para vocês e a nossa comunidade aqui continuar crescendo. E para isso eu preciso da sua ajuda, eu preciso que você deixe um like, que você se inscreva no canal, ative o sininho para não perder notificações nunca de vídeos novos e que também sempre comente os vídeos, porque isso ajuda muito a gente a ter relevância aqui no YouTube. Então é isso, obrigado por assistir até aqui, espero que vocês tenham gostado, até a próxima, um grande abraço.

Frequently asked questions

A substancia deve ser solida, ocorrer naturalmente, ter estrutura cristalina, composicao quimica definida e ser inorganica.

O mineraloide e uma substancia solida que parece um mineral mas nao possui estrutura cristalina, sendo chamada de substancia amorfa.

O minerio e uma rocha ou mineral que pode ser explorado economicamente, cuja viabilidade depende de fatores de mercado e de tecnologia.