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Rádio Mata do Peru · Transcript · · Updated

Tudo cast: Cleo Santos – Transcript

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Summary

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  • Cleo Santos compartilha sua historia como escritora e sua passagem pelo sistema prisional, onde comecou a escrever na tampa de quentinhas.
  • Ela criou o projeto social Empodera Mulher para ajudar e escutar mulheres em situacao de vulnerabilidade na comunidade.
  • O livro Das Grades a Liberdade escrito por Cleo Santos entrou como projeto de lei para remicao de pena atraves da leitura em presidio.
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Transcript

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[música] [canto] [música] [canto] [música] [música] [música]

>> Tudo cast. >> [música] [música] >> Tudo cast.

A voz que conecta. Rádio mata do peru, tá ligado? >> Boa noite gente, boa noite, sejam todos bem vindos né? Está no ar mais um tudo cast aqui na melhor na web rádio mata do peru indo mais longe para ficar pertinho

de vocês e hoje é claro né? É com uma convidada muito especial nossa querida Cleo Santos e eu convido a vocês a compartilhar nossa live e também estamos ao vivo pelo nosso Instagram, pelo nosso YouTube, também pelo nosso aplicativo próprio e é claro pela rádiosnet. Sejam todos bem vindos porque a partir de agora a gente vai é saber mais um pouco né? Do que a gente já sabe da história dessa mulher que é uma

guerreira né? Dessa mulher que transformou a vida dela própria e tá transformando a vida né? Das outras pessoas e hoje a gente recebe aqui né? Com muito carinho, é com muito prazer de receber aqui hoje nossa querida Cleo Santos. Cleo, desde já a gente agradece, obrigado né? Por estar aqui conosco hoje.

Pra trazer um pouco da sua história, né? É como a gente vinha conversando, é uma história que, é, por onde você passa, você deixa vestígios bons pras pessoas. Então, muito obrigado mesmo por aceitar o nosso convite e por estar aqui hoje, né, e trazer um pouquinho da sua história pra gente. Boa noite, seja bem-vinda.

>> Boa noite, é, primeiramente eu quero agradecer pelo convite, pela oportunidade de estar aqui, né, na rádio, no programa e poder compartilhar e contar um pouco da minha história. Eu sou Cleo Santos, escritora, a mãe, a mãe, avó, esposa e apaixonada pela arte.

>> É, você nasceu aqui mesmo em Simão Dias, né, Cleo? Certo, Simão Dias. >> Nasci em Simão Dias. Sim, nasci aqui em Simão Dias. >> É, você também é escritora, >> Sim. >> é palestrante, né, tem uma história de superação muito, assim, sofrida e também muito bonita.

É, e de onde veio, né, quando você é, por onde você passa, você deixa, na verdade, é, com as pessoas, tipo, pessoas ficam interligadas a você, fica tipo uma ligação, uma conexão, tipo Wi-Fi.

>> Sim. >> É, de onde você tirou esse dom? Você tem uma história, né, assim, pra contar pra gente, >> Sim. >> mas de onde você tirou esse dom? >> Então, na verdade, a minha história, ela não, não foi escrever um livro, né?

Eu fui privada de liberdade, eu passei por momentos muito difíceis na minha vida. Então, foi em um desses momentos difícil, dentro do sistema prisional, que eu comecei a escrever, que veio a vontade de escrever E eu me descobri escritora, porque até então, quando eu, antes de, de ser privada de liberdade, eu sempre gostei de ler.

É incrível, porque eu gosto de ler, mas eu não sabia escrever. E privada de liberdade, você fica sem ter o que fazer lá dentro. E aí, um dia, eu tava olhando para o lixo e comecei a ver um monte de tampas de canetinhas em branco.

E aí, me deu a vontade de criar uma narrativa, de escrever sobre minha história, de saber quem é Cleo Santos. E que, o que eu iria fazer depois que eu saísse de lá. Porque eu sabia que ia ser tudo muito difícil.

Muito difícil. E aí, eu me apaixonei pela escrita, quando eu estava privada de liberdade. >> Foi algo ruim, mas ao mesmo tempo, abriu portas para você. >> Sim. >> Entre aspas. >> Sim.

É, então, veja só. Para que as pessoas entendam melhor a minha história, é, todos sabem, quem me conhece sabe, que eu já passei pelo sistema prisional, que não é segredo para ninguém.

Eu tive um relacionamento, vamos dizer que meio abusivo, porque eu só descobri isso depois. Porque a mulher, ela é assim, quando ela sofre um abuso, abuso psicológico, abuso verbal, ela, na verdade, ela só descobre depois.

Porque as mulheres, quando tá apaixonada, ela romantiza tanto, que nem ela acredita que tá passando por aquilo. Então, quando eu pa, me deparei lá dentro do sistema, é, eu fiquei sem acreditar, né, que tava acontecendo aquilo comigo.

Como que eu pude me apaixonar por uma pessoa e parar dentro daquele sistema ali, naquele lugar onde não não havia onde onde não há amor, não há carinho sabe? Porque o sistema ele ele é por escassez e as pessoas romantizam muito eu nunca imaginei que poderia me apaixonar por alguém e presa

as pessoas me perguntam muito, mas Cleo, qual o motivo que você foi presa? Por que que você foi presa? Eu fui presa pelo artigo 133 que é o tráfico de drogas eu fui a traficante na verdade na época e quando as pessoas me perguntam, mas foi ele que te colocou no crime? Ele que mandou você traficar? Não ele não pegou a droga e disse, tome, vai vender e você vai traficar, não ele era usuário de droga

e eu era uma mulher apaixonada e quis facilitar a vida desse homem e me tornei uma traficante mas ele teve alguma participação? Como acabei de dizer, eu sofri muita violência psicológica que é aquela que entra na sua mente te ama, mas que tem que ali, tem que sair, eu não tenho dinheiro para comprar e aí quando você quer você querendo

ficar perto do seu companheiro, do seu parceiro, eu acabei entrando nesse mundo que eu achei que eu vendendo ia ficar mais fácil que esse homem ficasse comigo, porque foi um amor tão desesperador, sabe? Eu acho que eu amei esse homem, eu acho não, eu tenho certeza. Eu amei esse homem incondicionalmente, eu amei esse homem mais do que a mim mesma do que o meu filho mais do que os meus pais eu só vim descobrir que esse homem não me amava quando eu estava atrás das grades

eu descobri porque eu não recebi carta, não tive visita tive um telefonema, eu não tive oi só tive o verdadeiro amor que foi do meu filho que acabou indo preso também junto comigo e do meu Deus. E foi onde eu conheci o amor de Deus.

Foi dentro do sistema prisional. Eu não tinha visita, eu não tinha ninguém. >> E esse, nesse momento que você passou lá, que você chegou, eh, e descobriu que realmente só, só existia amor da sua parte, >> Sim.

>> como foi para você estar lá dentro e descobrir algo que você tanto, eh, se entregou, que você tanto procurou em ajudar, e você descobrir assim, de forma, tipo, de uma forma não muito, não muito boa, vamos se dizer assim, como foi para você?

Esse amor que você >> Nossa, muito difícil, né? Foi muito difícil porque eu nasci aqui em Simões Dias, mas eu fui criada em Salvador, né? E lá em Salvador eu, eu, eu era casada, eu tinha um filho, né?

Lá em Salvador e E quando eu cheguei aqui, que eu me apaixonei por ele, eu achei que ele, eu tinha certeza que ele era o príncipe da minha vida.

Que ele era tudo o que eu queria. E quando você cai em um lugar daquele, na cela, que você fica longe daquele homem que você amou tanto, você se dedicou tanto, que você deu a vida por esse homem e você abandonada, meu Deus do céu.

Aí foi que eu comecei a me sentir burra, idiota, chorava muito, desesperada. Eu queria pelo menos um telefonema, uma carta, algo que ele me dissesse, que ele mandasse para mim, entendeu? Mas não aconteceu isso, né?

>> Você esperava mais, na verdade, né? >> Sim, eu esperava mais, sim. Porque eu, eu me tornei uma traficante por ele. Por ele, eu me tornei uma traficante por ele, por amor a esse homem. Eu quis facilitar a vida desse homem. Eu dei tudo para esse homem e ele não me deu nada. Eu dei todo o meu amor, toda a minha dedicação, todo o meu carinho.

Eu já era uma adolescente sofrida, uma mulher sofrida. E aos 13 anos também eu acabei descobrindo que eu era filha adotiva. E os meus pais biológicos haviam me dado.

Frequently asked questions

Ela comecou a escrever dentro do sistema prisional usando a tampa de quentinhas branca encontrada no lixo.

E um projeto criado por Cleo Santos que acolhe, escuta e oferece cursos para mulheres em situacao de vulnerabilidade na comunidade.